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Emissoras  de  Rádio em Osório                      

 

 

 


 

 

    Rádio Osório  (1955-1965)

 

 

Preâmbulo  (A Voz do Litoral):

 

Anteriormente ao inicio do funcionamento de uma emissora  de rádio em Osório,   cabe lembrar que  o radiotécnico   Moacir Vidal -  no inicio da década de 1950 -    já   realizava transmissões de som através de  um serviço de altofalantes instalados  em postes   no centro da cidade, nas imediações da sua  oficina  (rua Machado de Assis, em frente à Praça da Conceição). Nesse serviço ele transmitia músicas, recados,  propagandas de produtos ou de   casa comerciais, etc.  O nome do serviço era " A Voz do Litoral"! Seu Moacir  havia vindo morar em Osório na década de 1940. Posteriomente (por volta de 1954/55)  ele e sua esposa (Delia Jones Vidal) decidiram construir um prédio no mesmo local . Nesse prédio  passou a funcionar o Cine Central, inaugurado em 1955. (Depoimento de "José Moacir Jones Vidal")

 

 

Um   Breve   Histórico:  

 

 Segundo (11)  a Rádio Osório  foi  fundada em 28 de agosto de 1957.  Mas  antes disso vários fatos já tinham acontecido,  pois  as   transmissões  de rádio  na cidade  tinham iniciado algum tempo antes, em caráter experimental, ainda sem  autorização governamental.

 

 

Depoimento  de  Orlandina Teresa de Paula

 

Na referência  (7), há o seguinte  depoimento de  Orlandina Teresa de Paula (também conhecida como dona  Iolanda),  viúva  do radialista  Antônio Adão de Paula (mais conhecido como Antônio A Paula): 

 

1)      No  início,  por volta de 1953/54, a Rádio Sulina, de  Santo Antônio da Patrulha, montou um estúdio no prédio do  Clube Comercial da cidade.   O  diretor do estúdio era  o patrulhense  Antônio Gomes Ferreira (mais conhecido por  Antônio Padeiro).  O Clube Comercial ficava  localizado nas esquina  das ruas Bento Gonçalves  e  Maj. João Marques. Segundo (7), inicialmente a emissora  recebeu o nome de "Rádio Atlântida" (com "d").  

 

2)  Depois de um certo tempo de  transmissão   e  não   conseguindo o registro de  concessão dos órgãos governamentais, os proprietários da Rádio Sulina, donos  dos equipamentos em Osório,  decidiram vender os mesmos.  Para tanto, Antônio  A.  Paula (marido de Dona Orlandina),  que trabalhava na emissora  conseguiu  sensibilizar pessoas  da comunidade  tais como Basileu Osório Nunes, Mário Ferreira da Silva (Mário Ferreiro), Nelson Dalpiaz e Otto Muller (de Tramandaí) para adquirir os mesmos. Eles compraram os equipamentos, ficando Antônio A. Paula  ficou com a metade das cotas mais 1 (uma).   Embora  ainda  transmitindo em fase experimental,  Antônio A. Paula  e seus sócios foram  ao poder municipal em busca de auxílio para  conseguir a  concessão de um canal  de emissora de rádio para a cidade de Osório. Maiores detalhes  desse assunto  se encontram na referência citada (7). 

 

3)   Depois do Clube Comercial,  o estúdio  foi  transferido para  um prédio  localizado na mesma rua.  

                                                                                                                                              

4)  Desse prédio  a  Rádio Osório  se mudou  para um   outro ponto  da  R. Maj. João Marques, para  uma dependência de um  prédio que  pertencia  a Carlos Gonçalves de Azevedo  (Seu Azevedo).  

 

5)  E  que    desse local  (casa  do Seu Azevedo)   a Rádio   Osório se mudou  para  o  Ed. Mário  Jaeger.  

    

 

Esse foi o depoimento de Dona Orlandina no citado livro (ref. 7).

 

 

 

Versão do Autor da Página:

 

 

Apresento abaixo alguns fatos que podem complementar o depoimento   da  dona Orlandina.

 

6)   Com referencia ao item 3 acima, o   Autor  crê que   a Rádio Osório transferiu o  estúdio do Clube Comercial para  a  casa do Antoninho Garcia. Na  figura abaixo é o prédio onde está escrito "Galeria"!.  Nessa época (1955) essa casa   pertencia  a uma   pessoa  conhecida como  "Seu Vava". Este senhor    fez  uma série de modificações na casa, ficando o seu interior  com um   formato  de  "Galeria",  havendo   um corredor central  que  conduzia   a   várias salas de aluguel, lateralmente ao corredor central   Uma das salas foi  ocupada pelo  estúdio da Rádio Osório.  Outras pessoas  alugaram salas nessa galeria; entre elas a   conhecida   dentista  Dona Eugênia que ali   teve  o seu  consultório.  Nota: A Rádio Osório ficou pouco tempo (menos de 1 ano) nesse local.

 

 

 Desfile de 7 de Setembro, indicando-se   o  prédio da Galeria.  Mais adiante se vê ainda à esq. o prédio do Clube Comercial.  Foto de Sergio Baptista  (1957-60).

 

 

 

 

7)    Desse local (Galeria)  o estúdio da emissora foi transferido o Ed. Mario Jaeger onde ficava a estação rodoviária da cidade .  Nessa   época,   o   edifício   tinha um único andar. Ali  a emissora  alugou   2 ou 3  salas  no 1o. andar  em que  ficavam  o estúdio  e   a administração.  2)  Ver  na   foto abaixo, no canto esq.,  o  local  que a  Radio Osório ocupava   no prédio.   O autor acha  que  isso deve ter ocorrido por volta de 1955-57.

 

 Ed. Mário Jaeger (Foto de  autor desconhecido)

 

8)  E desse  edificio (Ed. Jaeger), a Rádio Osório  se transferiu para  a R.  Maj. João Marques (casa do Seu Azevedo).   Isso deve ter ocorrido por volta de 1958-60. Nota: Ver mais detalhes da Radio Osório nesse local no item 14.

 

9)  É  bem   possivel  que, depois da  casa do Seu Azevedo,  a Rádio Osório tenha voltado a operar  do Ed. Jaeger, mas há  dúvidas sobre esse fato.  Nota:  Creio que - na época - esse prédio já se chamava Ed. Ramos, pois pertencia aos Irmão Ramos (da Casa Ramos). 

 

10)  E desse ponto (Ed. Jaeger ou Ramos) , o  estúdio da Rádio Osório foi transferido para uma sala do prédio da Galeria Real onde antes (nos anos 1950) ficava o presídio municipal. 

 

 

 

Outros fatos complementares:

 

11)   O jornal "O Litoral", edição de  18/Abr/1954,  informa que  Argeu Gomes era  locutor e diretor artístico da "Rádio Atlântica Ltda" (com "c") .    O mesmo jornal, edição de 27/Jun/1954,  cita que a "Rádio Atlântica Ltda." transmitiu  a partida de futebol entre GESB e GAO (o placar foi  2 x 2).  Nota:  1)   A   foto abaixo  mostra o Clube Comercial; junto às janelas superiores havia um   mezanino que era  o  local onde  ficava  o estúdio da emissora.  2)  Essa  foto  é    um  detalhe  de uma foto maior  tirada por Sergio Baptista em 1966. 

 

 Clube Comercial  

 

 

12) De  acordo com (12),  em  22 de agosto de 1955  foi  emitida  a  Portaria  No. 702  pelo   Ministério de Viação e Obras Públicas (MVOP)  que  outorgava   uma concessão para  a  Rádio Osório Ltda.,  explorar os serviços de radiodifusão, sem direito de exclusividade, na cidade de Osório - RS.    Nota:  1) Conclui-se disso que, nessa data,  já estava formalizado  o nome "Rádio Osório" e não mais "Rádio Atlântica".  

 

13)   Em    Abril/1954  os proprietários do Cine  Labor  passaram    a  ocupar  as dependências do   Clube Comercial, alugando o imóvel por cerca de 12 meses (portanto, até Abril/1955).  Ver  Página  sobre Cinema em Osório. Nota:  Com base nesse fato, o Autor  supõe  que  a Rádio  Osório desocupou  o mezanino do Clube Comercial antes de  Abril/1954.  

 

 

Radio Osório possui auditório:

 

 

 14)   Como se viu no item 8),  do Ed. Mario Jaeger,  o estudio e administração da Radio Osório foi transferido para uma sala pertencente a Carlos Gonçalves de Azevedo (seu Azevedo). Esse local ficava na época na  R. Maj. João Marques, entre a Av.  Mal. Floriano Peixoto  e  a  R. Lobo da Costa (atualmente chamada de Av. Jorge Dariva)).   Notas:  1)  Este  trecho  de   rua   não existe mais; ela  foi fechada  pela municipalidade nos anos 1990  e  agora   pertence ao Largo Sônia Chemale. 2)  Seu Azevedo era    figura  notável da cidade  que  sempre  apoiou  a emissora, tendo sido seu  sócio por um certo tempo.  3)   As fotos  abaixo  (de 1979, do Autor)   mostram  o local onde  ficava a Rádio Osório.

 

Vista  norte  da  esquina  da   R.  Maj.  João  Marques  e  Av. Mal . Floriano Peixoto. 

Rua  Maj. João Marques, no trecho   entre  a  Av. Mal.  Floriano Peixoto  e  a   R. Lobo da Costa (atual   Av. Jorge Dariva).  

 

 

 

Nesse novo local  foi   adaptado um espaço (sala)  para   estúdio e, posteriormente,  montou-se  um pequeno auditório com palco e espaço para a platéia.   As  poltronas da platéia eram de  madeira.  Essa adaptação  se destinou  a   programas  de auditório  os quais   geralmente  se realizavam  sábados a tarde  e domingos pela   manhã.   Nesse  local havia   um programa de calouros realizados  aos domingos  de manhã  que tinha  como patrocinador o Café Continental,  fabricado por Jorge Pedro Nehme,  de S. A. da Patrulha. Essa pessoa, embora radicado no município vizinho, foi  um dos que  deu muito  apoio  a  Rádio  Osório. Nesses  programas,  os calouros que eram  melhor  sucedidos recebiam prêmios em dinheiro  e durante  o programa   pacotes do Café Continental   eram sorteados para os assistentes  da  platéia.  Nesse auditório também se apresentava,  domingos de manhã,   o Regional da Rádio Osório constituído por músicos locais  entre eles Amadeu no acordeão,  Teodolino e/ou Raimundo no violão,  Rubens   no cavaquinho, Ruá no pandeiro e outros mais, tocando sucessos  da música brasileira. 

 

Outro programa lembrado foi o que ocorria  aos  sábados à tarde, por volta de 1960-61,   em que  alunos representantes do Ginásio Conceição e  da Escola Normal Rural apresentavam-se para  responder a perguntas  sobre determinado assunto, p.ex.,  História Geral. As perguntas eram preparadas pelos professores  das matérias, entre eles o Prof. Benito Izolan.   Recordo  que   um  dos  locutores que formalizavam as perguntas  era o Prof. Romildo Bolzan  que lecionava Latim e História em ambas as escolas.  As perguntas eam sorteadas  e cabia ao representante da escola  responder.   Cumpre  referir ainda que  em determinados domingos do mês a Rádio Osório apresentava   programas especiais  de auditório, mas agora   ocupava  as dependências  dos cinemas Labor ou Central para abrigar uma platéia maior.  Eram  ocasiões que vinham  convidados, geralmente cantores e cantoras  da capital do estado. Entre os que aqui estiveram, recordo do cantor Euclides Prado que, na época, era  também  narrador de jogos de futebol pela Rádio Farroupilha.  

 

Argeu G. Benfica e Antônio A.  Paula:

 

Argeu  Gomes  Benfica, vindo de Santo Antônio da Patrulha  e Antônio Adão de  Paula, vindo de Gravataí,   comandaram    a Rádio Osório  nesse período (1953- 1965) e assim ficaram até os seus falecimentos  (Argeu  G. Benfica,  em 1971 e Antônio A. Paula em 1974).  Nesse período (1955-65)   a emissora  também contou a  com   os serviços dos   locutores  Alaor Pereira dos Santos  (Laor)  e Isodório Gamba (Dóia),  depois vieram o Lárcio, o Osvaldo  Rodrigues (Mazolla)   entre tantos  outros.  Outras pessoas envolvidas  com a emissora foram  Vicente José Rodrigues e   o Sr. Souza, funcionário do Banrisul.   Segundo a mesma fonte (7), nessa época  a  potência da emissora era de 100 W  e assim persistiu  até 1979.  Nota:  1)   Nos   primeiros tempos, me parece,   a potência da emissora era de apenas  50 W .  Sua frequência não era  bem definida, pois a  emissora  podia ser sintonizada em 2 ou mais pontos do dial.  Por causa disso, falava-se  na época   que  a   Rádio Osório   "pegava"  até   em ferro-elétrico.  Obviamente  isso  era uma gozação feita pelos piadistas de plantão para  "brincarem'  com  o Argeu Gomes e Antonio A. Paula, mas  esses   levavam todas essas maledicências sempre   "na   esportiva".  Em verdade, esses dois personagens  foram sempre os maiores  baluartes para  a manutenção  da  radiodifusão em  Osório mesmo quando as condições (principalmente financeiras)  foram  bastante  adversas. As fotos abaixo mostram esses dois  grandes personagens  da  comunidade  osoriense.   Essas  fotos foram obtidas do  CD  citado referência (10).  

 

 
O radialista Argeu Gomes, de óculos escuros, transmitindo o pronunciamento do Pref. Romildo Bolzan

   Argeu Gomes, de terno branco, apresentando um conjunto musical

 

 

Os radialistas Argeu Gomes e Antonio A Paula (de terno claro)  por ocasião de uma formatura  do Ginásio Conceição.  A esq. de óculos,  o Pref. Leonel Mantovani. Essa foto deve ser de 1963.

 

 

 

Pessoas que apoiaram a Rádio Osório:

 

Por fim, cabe  salientar   que nesse período  inicial   a Rádio Osório  sempre recebeu   bastante  apoio  dos prefeitos municipais (João Cavalcanti Fo., Osmani Veras, Leonel Mantovani, Romildo Bolzan, Angelo Guasseli, etc.) visto que  a Prefeitura Municipal entendia  que a emissora  prestava  um grande  serviço à comunidade e não seria desejável  que a  mesma  deixasse de funcionar. Recebia grande apoio também  de alguns  comerciantes da cidade. Além dos  já citados  Carlos Gonçalves de Azevedo (seu Azevedo,  dono da Casa Radar) e  Jorge Pedro Nehme,  de S. A. da Patrulha, fabricante do café Continental,  a emissora  recebia  apoio de Sidôneo  Ramos (da Casa Ramos), de  Djalma Silva e Bruno  Niederauer (ambos do Credi-Lar) e de alguns   outros mais.    

 

Local da  1a. Antena: 

 

A 1a.  antena  da Rádio Osório  foi  instalada por volta de  1960  em  um descampado em frente à   R. Lobo da Costa  (atual  Av.  Jorge Dariva), na altura do atual prédio da estação rodoviária.  Nota:   A  foto abaixo, tirada em  1979 pelo Autor,  mostra   ainda a  antena e  a  pequena casa  que abrigava os equipamentos de transmissão da emissora.

 

 

 

 

 

 

 


Fontes  de  Referência:

Livros:

(7)   Remembranças de Conceição do Arroio (Osório), de Guido Muri, Vol. 4 (1995)

CD:

(10)   OSÓRIO  -   150 Anos  - 2007,  Do Vapor a  Energia Eólica :  Silvio Benfica,  Ademir  Brum  e Leo Mendonça  (produtores)  (2007)

Páginas  da Internet:

 

(11)  Rádio da Universidade de Santa Maria

 

(12)  Decreto  No.   89.629,  de 08  de maio de 1984, da  Subchefia de Assuntos Jurídicos da Presidência da República

 

 


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