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Página Inserida em Jul/2016   

MUNICÍPIO  DE  OSÓRIO

(Ex-Conceição do Arroio)

          


 

Transporte para o  Litoral Norte até 1950

Conforme se depreende dos livros  indicados nas Refs. 21 e 22,  no inicio  do século XX,  era uma verdadeira aventura sair de Porto Alegre e chegar às  localidades do litoral norte, incluindo as praias situadas entre Cidreira e Torres, pois  não havia estradas adequadas para o deslocamento.  E no sentido inverso era a mesma coisa.  Em 1921, com o término da construção da ferrovia entre Palmares (atual Palmares do Sul) e Conceição do Arroio (atual Osório)  a situação melhorou sensivelmente, pois as mercadorias (geralmente produtos agro-pecuários)  para chegarem  a Porto Alegre, vindas do litoral norte, eram levadas  por via lacustre  até Conceição do Arroio e daí  por via férrea até Palmares e  depois disso   seguiam por barcos a vapor   até Porto Alegre, passando pelas lagoas do Casamento e dos Patos.  E no sentido inverso era a mesma coisa!  Como o assunto é muito   bem tratado nesses dois livros, não vou me alongar mais nesse quesito. 

 

Transporte Rodoviário no Litoral Norte  (1950-1965)

No inicio da década de  1950  havia uma única estrada que   iniciava  em Porto Alegre e passando pelos municipios de Gravataí, Santo Antônio da Patrulha,  terminava em   Osório.  Sua extensão  total   era da ordem de 120  km.   Da cidade de Osório   havia uma bifurcação, saindo  então  uma   estrada para Tramandaí  com uma  extensão da ordem de 20 km  e outra para Torres com cerca de 100 km de extensão.  Todas essas três  estradas  ainda eram  pavimentadas com saibro   e   possuíam  apenas uma pista   com os veículos trafegando  nos dois sentidos.   Notas:  1)  O nome da estrada (RS-30)  que    inicia em  Gravataí e termina em Tramandaí, passando   por  Glorinha,  Santo Antônio da Patrulha e Osório só veio a ser  designado bem mais tarde, talvez na  década de 1970. 2) Para maiores  informações  sobre o transporte rodoviario entre Porto Alegre  e  as cidades litorâneas, desde  o inicio do seculo XX,    recomenda-se  o  livro  citado na  Ref. 21.  3)   No tocante à  história  do transporte lacustre entre Torres e Osório e ferroviário entre  Osório  e Palmares do Sul,  recomenda-se  o livro citado na Ref. 22.

Trajeto  da linha de ônibus Porto Alegre-Osório

O ônibus saía da estação rodoviaria de Porto  Alegre, entao localizada na esq. das ruas  Júlio de Castilhos e Conceição, onde hoje fica o prédio da Igreja Universal.   Portanto em   um ponto  da cidade bem próximo  da  nova  (e atual)   estação rodoviaria da cidade ( inaugurada em meados da  década de 1970).  O trajeto do onibus  era o seguinte: da estação  rodoviária o ônibus tomava  a Av. Farrapos e seguia  por essa avenida até a altura das ruas Brasil   ou   Cairu. Ingressando numa dessas  ruas,  ele  chegava até a  confluência das avenidas Benjamim Constant e  Assis Brasil e entao  rumava (pela Assis Brasil)  em direção a Gravataí. No limite dos municipios de Porto Alegre e Gravataí, o ônibus passava por uma  ponte de ferro (Ponte de Cachoeirinha)  existente   sobre o rio Gravataí que até então separava os municipios de Porto Alegre e Gravataí (Cachoeirinha era então distrito de Gravataí) .  Depois da ponte percorria por dentro de  Cachoeirinha (então distrito de Gravataí)  a   atual Av. Gen. Flores da Cunha   até se entroncar com  a atual Av. Dorival Candido Luz de Oliveira, no local chamado de Vista Alegre,  onde há um acesso para a cidade Taquara. Ao chegar   na cidade de Gravataí, tomava a atual   R. Anapio Gomes  e parava na estação rodoviaria da cidade. Depois do "sobe e desce"   de passageiros na estação, o onibus prosseguia até encontrar a RS-30. A partir daí,  rumava para o litoral, passando por Glorinha, Miraguaia, Vila Palmeira, Santo Antônio da Patrulha e Osório. Esse percurso    era  o mais curto entre o centro de Porto Alegre e   as cidades  litoraneas, por isso era usado pelo veiculos de passeio ou pelos  caminhões de transporte de mercadorias, entre elas a Empresa Coutinho. Abaixo,   a fotografia da  estação   rodoviária de Porto Alegre na R.  da Conceição.  O edificio mais elevado da fotografia é o Ed. Chaves (Chaves Barcelos) ainda existente.

 

 

 

Até inicio dos anos 1960 a ponte de Cachoeirinha  possuía  uma pista apenas. Inicialmente havia funcionários do DAER nos dois lados da ponte  para controlar a passagem dos  veículos que iam ou vinham da capital.  Posteriormente  foram colocadas  sinaleiras (semáforos)  na entrada de cada lado da ponte para  informar qual o sentido que estava liberado para o trânsito.  Creio que  foi no inicio da   década de 1960,  que essa ponte foi  duplicada, sendo construida uma 2a.  ponte de ferro apoiada em pilastras (ou colunas) de  concreto. Essa nova ponte foi construida  ao lado da ponte antiga.  Nota-se que essa 2a. ponte não era fechada (tipo gaiola) como a ponte mais antiga.  Ver fotos  abaixo.   Nota:   Bem antes da construção    da 1a.  ponte de ferro (tipo gaiola), havia no local  uma ponte de concreto ou alvenaria, construida por volta de 1920,  para  permitir a travessia de veiculos ou carroças por cima do  rio Gravataí.   Essa ponte foi dinamitada para dar lugar à ponte de ferro.

 

 

Ponte única com semáforos para controlar a passagem

 

Ponte duplicada, vista do lado de Porto Alegre

 

A  partir  dessa ponte  o onibus seguia até a  estação rodoviaria da cidade de Gravataí  para  embarque/desembarque de  passageiros ou entrega de encomendas ou  de  malotes (dos Correios, p. ex.).   Seguindo em direção a   Santo Antonio da Patrulha, o ônibus  passava  pelas localidades  de   Glorinha (atual municipio de Glorinha)  e  Vila  Palmeira até chegar  no Bar/Restaurante  Turista, localizado  no bairro Pitangueiras (parte de baixo)  de Santo Antonio da Patrulha.  Aí  nesse bar  o ônibus parava por uns 15 -30 min  para os passageiros  tomarem  um café ou almoçarem  e depois  seguia para Osório.   Se a linha do onibus era  do tipo "pinga-pinga", ou seja,  que permitia  a subida e descida de passageiros ao longo do caminho,  chegando  o ônibus no Bar Turista em Santo Antônio da Patrulha,  ainda tinha  subir  até a parte alta da cidade para  parar  na  estação  rodoviaria onde desciam ou subiam  passageiros ou  entregavam malotes, encomendas, etc..  

No trajeto  inverso (de Osório a Porto Alegre), a situação era a mesma. Saindo de Osório e chegando no Bar Turista, se o ônibus  fosse "pinga-pinga",  ele tinha que subir  até a parte alta da cidade onde ficava estação rodoviaria da cidade.

Conforme depoimento de Alcino Campos (Ref. 1) que  trabalhou na empresa de ônibus   Santo Anjo  da Guarda, na   linha Tubarão (SC) a Porto Alegre (RS),  por volta de 1955,    a estrada só   era asfaltada entre Porto Alegre  e  o inicio da Lagoa dos Barros, no  local chamado de "Ilha".  A partir daí,   até Osório, num  trecho de uns  15 km,   a estrada  era de saibro!   No trecho  Santo Antonio-Osório    por muito tempo havia  em cima de uma pequena  colina um posto de gasolina, cerca de uns 10 km distante  de Santo Antônio. Creio que esse posto foi desativado depois que a Auto-Estrada Porto Alegre-Osório (Free-Way)  passou a operar em Set/1973, visto que aí o fluxo pela estrada velha (RS-30)  foi reduzido consideravelmente.  

 

Empresa Jaeger

A única   empresa que tinha a licença do  DAER  para fazer  o transporte de passageiros entre Porto Alegre e as cidades do litoral norte, era  a "Empresa Jaeger", de Mário Jaeger e Irmão. Essa empresa começou a  operar linhas para o litoral norte por volta de 1935.   Abaixo à esq. tem-se  o  anúncio dessa  empresa na Revista do Globo (Jul/1941),  de Porto Alegre,  mostrando o veiculo que transportava os passageiros  bem como  as localidades atendidas pela empresa.  À dir.,  outro anuncio da empresa no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, edição de Jul/1952, indicando as linhas, horários  e  localidades atendidas, incluindo as do estado de Santa Catarina.  Conforme Carlos Gilberto G. Cardoso, as cores dos ônibus eram  verde e amarelo (cores da bandeira brasileira).

 

 

Em Osório, a Empresa Jaeger construiu por volta de 1953-54  um predio portentoso (para a  época)  onde ficaria  localizada a  nova   estação rodoviária da cidade.  Desde os anos 1940  a  concessão pela venda de passagens  de ônibus  na cidade  era de  Alexandre Renda, um portugues que veio a residir no Brasil e foi figura social de destaque na sociedade osoriense.  Pode-se ver  nas fotos  os  tipo de ônibus que serviam  o litoral norte por essa época.    De inicio o predio  só possuia  1 (um)   pavimento na parte  superior e acima deste havia um amplo terraço.  O local onde se vendia passagens ficava bem na esquina do prédio.  A foto da esq. é mais antiga. A  foto da  dir. mostra um  onibus estacionado; esse veiculo era  chamado de "Gostosão" porque, dotado de amortecedores apropriados,  era muito  mais confortável para viajar.  Nota: Alerte-se que os primeiros  onibus  em circulação pelo país  tinham suas carrocerias  montados sobre chassis de caminhões; por isso eles eram muito desconfortáveis.  Quando as empresas de ônibus do país começaram a oferecer melhores serviços, os novos ônibus já vinham dotados de uma suspensão (amortecedores) mais  apropriada para o transporte de passageiros, tornando assim a viagem mais confortável.  

Alerte-se que na época o  transporte de passageiros entre as localidades do litoral norte  era  atribuição única da Empresa Jaeger. Por volta de 1955-57,   essa licença passou para a  Empresa Santos Dumont que adquiriu os direitos de transporte de passageiros  da Empresa Jaeger.

 

Ônibus da Empresa Jaeger (cores  verde e amarelo)

 

Ônibus da Empresa Santos Dumont  (cores branco, azul e vermelho)

 

Empresa  Santos Dumont

Conforme Alcino Campos (ver Ref. 1)  a Empresa Santos Dumont  pertencia   a  Reinaldo Normann. De acordo com Carlos Gilberto G. Cardoso, o Sr. Reinaldo possuia um sócio.  Essa empresa passou a operar no transporte de passageiros, entre Porto Alegre e localidades do litoral norte por volta de 1955-57, conforme dito anteriormente. Segundo ainda  Carlos  Cardoso,   as cores iniciais dos  ônibus da Santos Dumont  eram amarelo e laranja; posteriormente passaram a  ser  branco, azul e vermelho (cores das garrafas de  Pepsi-Cola).   Creio que foi   por volta de  1965,  a Empresa Santos Dumont  foi vendida   para a empresa  Unesul  (com sede em Erechim)  que ficou com a concessão  de fazer o transporte rodoviário de passageiros entre Porto Alegre e  localidades do litoral norte do estado. Notas:  1) A foto abaixo mostra uma vista parcial de um ônibus do tipo Pullman da Empresa Santos Dumont estacionado em frente a estação rodoviária de Santo Antônio da Patrulha.  2)  Os ônibus do tipo  Pullman - pelo que me consta -  eram dotados de maior conforto e  possuiam  os bancos reclináveis.

 

Trajeto Porto Alegre - Palmares do Sul.

Expresso Palmares:

Alerte-se  que a  então vila ou cidade de Palmares do Sul  estava  fora do roteiro das linhas das empresas Jaeger,  Santos Dumont ou Unesul, pois desde 1953, o transporte rodoviario entre Porto Alegre  e  Palmares do Sul  era de concessão  de uma outra empresa (Cyrio Hass e Cia,. Ltda).  Ver Site dessa  empresa. O nome da  empresa Expresso Palmares passou a ser adotado  em 1957. Para interligar Porto Alegre e Palmares do Sul utilizava-se  uma outra rota (a atual RS-40) que interliga  Viamão  e Capivari.

 

Trajeto Porto Alegre - Florianópolis

Empresa Catarinense:

Essa  empresa   fazia  no  inicio  da década  de  1950    o serviço  de transporte de passageiros entre  Florianópolis   e Porto Alegre, utilizando  o trajeto Torres-Porto Alegre.  Segundo Site da Empresa, ela foi fundada em 1928, porém foi  só  na década de 1940 que a empresa começou a fazer o transporte de passageiros entre os dois estados.   Nota:  O Autor supõe (?)  que a linha de transporte de passageiros,  entre os dois estados pelo litoral norte,   inicialmente  feita pela Empresa Catarinense,    depois  de 1953  passou a ser feita pela Empresa Santo Anjo da Guarda.

Empresa Santo Anjo da Guarda

Segundo Site da empresa, ela foi fundada em  1947, mas foi somente a partir de 1953  que ela   adquiriu a licença  para  transportar passageiros entre Florianópolis e Porto Alegre. Conforme Alcino Campos (Ref. 1) ,  o ônibus dessa  empresa  saía de Tubarão as 4 horas da madrugada e  parava  para tomar  café no lugar chamado Forquilhinha  as 6 horas.  A proxima parada era  em Santo Antonio da Patrulha ao meio-dia para almoçar.   Chegavam a Porto Alegre por volta das  14 horas,  caso nao houvesse nenhum contratempo na viagem.  Portanto era uma viagem que durava, no mínimo,  10 horas.  Na saída  de Tubarão  até Torres  parte do trajeto era feito pela beira da  praia, pois nao havia ainda estradas.  Para chegar a Torres,  o ônibus tinha  que passar pelo  rio Mampituba em cima de uma balsa.   Vindo em direção de Osório, o ônibus ainda tinha que passar por mais tres rios ou arroios:   um deles ficava em Tres Cachoeiras, outro em Tres Forquilhas e outro em Maquiné.    Para tanto, na margem desses cursos dágua   ficavam estacionadas balsas para o transporte  tanto do ônibus como de outros veículos e pessoas.

Na foto abaixo da esq.,  obtida da Ref. 11, é mostrada uma das balsas que fazia essa travessia.  No texto não é especificado o local onde operava essa balsa.  A foto da dir.,  é um anúncio que saiu  na Revista do Globo, mostrando um ônibus  da empresa aqui chamada de "Santo Anjo". O  anuncio diz que o ônibus  vinha dotado de poltronas tipo ou marca "Pullman", ou seja, com  poltronas  reclinaveis, permitindo assim um maior conforto para os passageiros.  Certamente esse anúncio foi veiculado na revista  já nos anos 1960.     Saliente-se que  naquela época  essa empresa só tinha permissao  de  fazer  linhas interestaduais, ou seja,  transportar passageiros entre as cidades de  Santa Catarina e Porto alegre e vice-versa. 

Pelo que me consta, nem sempre  os onibus da empresa Santo Anjo  chegavam a entrar   na cidade de Osório. Só o  faziam quando  houvesse  algum  passageiro destinado a cidades de  Santa Catarina ou levar alguma encomenda ou  malotes dos  correios para  o estado vizinho.  De modo geral, os pontos de parada  de  ônibus  dessa empresa  para tomar um café e almoçar  eram nos  restaurantes localizados na  estrada federal, entre eles o Restaurante Quitandinha que ficava localizado ao lado do Posto Atlantic, pertencente a Sebastião Pereira. 

 

 

Empresa São Cristóvão

Era outra empresa que tambem fazia a linha  entre Porto Alegre e Florianópolis, passando por e Osório e Torres.  A foto abaixo mostra um dos ônibus dessa empresa.

   

 

DAER

O  DAER  (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem)  foi criado  pela Lei  no. 750, de 11/Ago/1937.  Sendo  uma  Autarquia  estadual, o DAER  foi o órgão  responsável pela gestão do transporte rodoviário do Estado do Rio Grande do Sul, vinculada à Secretaria dos Transportes.  O DAER foi  o segundo Órgão rodoviário criado no país.    No dia 16 de novembro de 1953 foi criada a Polícia Rodoviária do DAER, composta por funcionários do Departamento que faziam o policiamento rodoviário das estradas estaduais do Rio Grande do Sul.   Notas:  1) Dados da Ref. 12 (Site do DAER).  2)  O DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem)  foi criado um pouco antes, em 31/Jul/1937. Ver item que trata do DNER.  

Creio que até 1945, ano em Getulio Vargas deixou o Poder e a Democracia foi restabelecida,  não haviam estradas federais no Rio Crande do Sul.  A  estrada Osório-Torres foi transferida  do governo estadual para o governo  federal entre 1950 e 1955  visto se tratar de  uma rodovia importante para interligar Porto Alegre com o restante do país.  Segundo o mesmo depoente (Alcino Campos - Ref. 1), essa estrada federal  era chamada de  BR-59 (antigamente era chamada de BR-2).    Apesar de  ser federal,  a estrada  Osório-Torres  ainda   era conservada  e patrulhada pelos funcionários do DAER (órgão estadual), certamente através de um convênio feito entre os governos estadual e federal.  Segundo o mesmo depoente,  quando ele   ingressou no DAER em 1957,  este órgão era   encarregado de fazer o patrulhamento e a conservação da estrada Osório-Torres. Segundo Marina Raymundo da Silva,    seu pai  (Adauto Nunes da Silva) veio de Taquara   para trabalhar como mecânico  no DAER  por volta de 1951-52 no  acampamento (ou capatazia) localizado em  Três Cachoeiras.    Alem desse,  havia um  outro  acampamento (ou capatazia) do DAER    na localidade de Laranjeiras, distante  4 km de Osório, em direção a Santo Antõnio da Patrulha. Entre os que trabalharam nessa capatazia, estava Manoel Panni Barrufi, operador de máquinas, sogro do Autor  e Silvio Negreiros  (o Piá), figura muito conhecida em Osório. 

 

Postos de Controle do DAER

Por volta de 1957-58, o DAER começou a implantar postos de controle ao longo da estrada Porto Alegre-Tramandaí.  Esses postos serviam inicialmente  para examinar a documentação do veiculo e dos motoristas. Depois nesses postos passou-se  a controlar a velocidade do veiculo.    Como faziam?  Ao passar por um posto de controle existente,  digamos  na saida de Gravataí,  o motorista recebia um "ticket"  em que especificava o horário minimo  em que aquele  veiculo deveria passar no próximo posto de controle  que ficava  na entrada de Santo Antonio da Patrulha. Se o veiculo chegasse  nesse posto antes do horario indicado é porque ele havia dirigido com velocidade superior à média permitida. Então o motorista era multado por excesso de velocidade.  O que faziam os motoristas?  Quando se excediam na velocidade, paravam no acostamento da estrada  e ficavam esperando a hora para  passar no posto seguinte.  Assim, ludibriavam a fiscalização do DAER.  Eram tempos em que "nem se pensava"   em instalar um sistema de radar ao longo da estrada para medir a velocidade do veículo!  Vendo que o sistema nao estava funcionando  como deveria, algum tempo depois (2 a 3 anos)  o DAER suspendeu a emissão dos "tickets" e passou a examinar apenas a documentação dos veiculos/condutores. Abaixo mostra-se  fotos de  um  desses postos de controle; esse estava localizado  na entrada de Tramandaí.  A foto da esq.  foi tomada por Sergio Baptista; a da dir.  foi fornecida por Aloisio Adib. Essa foto  foi reproduzida em matéria do Jornal Zero Hora (ver Ref.  14). 

 

  

 

DNER

Segundo Ref . 13  (Site da Câmara de Deputados - Federal),  o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) foi criado pela Lei no. 467, de 31/Jul/1937.  Este orgão veio a suceder a Comissão de Estradas de Rodagem Federal e estava  subordinado ao Ministério da Viação e Obras Públicas.  Nota:  O DNER foi    extinto em 2001  e suas tarefas passaram a serem feitas pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

 Quando (?)  realmente a estrada Osório-Torres passou a ser chamada de "estrada federal"  fica uma dúvida.  Conforme depoimento de Claudio  Piovesano (Ref. 2), funcionário do DNER desde 1960,  foi no governo do presidente Jânio Quadros (iniciado e findado em 1961)   que essa estrada foi  "oficialmente"  federalizada.   O setor administrativo e operacional  do DNER, chamado de "Residência", começou a ser  instalado  em  Osório no inicio de  1962.  As instalações dessa "Residência" ficavam localizadas  na Av. Getulio Vargas, entre a s ruas Santos Dumont e Cel. Reduzino Pacheco,  no mesmo local    onde antes  ficava  a antiga  estação de trem.  Dentro da  estrutura do DNER,  a Residência  foi denominada   R4 (Osório).  Nesse momento (1962), entao o DAER  foi transferindo paulatinamente para o DNER a responsabilidade  pela conservação,  obras a serem executadas e patrulhamento  na estrada Osório-Torres.    Ressalte-se que, antes de  repassar  os serviços para o DNER,  o DAER  já  havia construido  as pontes sobre os rios  e arroios  existentes em Maquiné, Tres Forquilhas e Tres Cachoeiras.    Portanto  em 1960,  as balsas   já não operavam mais.  Só faltava a    estrada ser asfaltada, tarefa que veio a  caber ao DNER. Segundo Claudio Piovesano  (Ref. 3), o asfaltamento do trecho Osório-Torres foi iniciado em 1962 e concluído em 1968.

(CONTINUA....)

 

Fontes das Informações:

Ref. 1 - Depoimento de Alcino Campos (ex-Funcionário do DAER)

Ref. 2 -  Depoimento de Claudio Piovesano (ex-Funcionário do DNER)

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Ref .11 -  Almanaque Gaúcho, Zero Hora, edição de 18/Jul/2016

Ref. 12 -  Site do  DAER

Ref. 14  - Almanaque Gaúcho, Zero Hora, edição de  26/Set/2013

Ref. 13  - Site da Câmara dos Deputados (Federal)

Ref. 15  -   Site da empresa  Palmares

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Ref. 21  - Livro  "A Saga das Praias Gaúchas (De Quintão a Torres)", de  Leda Saraiva Soares (2000)

Ref. 22 -   Livro   " Navegação Lacustre Osório-Torres", de Maryna Raimundo da Silva (2014- 3a. edição).    

 


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