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       Cinema na Cidade de  Osório - RS            

                                                                    (1927  - 1965)


Cronologia dos Fatos  

    16/Mar/1927

Na vila  de Conceição do Arroio (atual cidade de Osório), um circo apresenta os primeiros filmes  na cidadeSegundo (7)   esse fato faz parte dos apontamentos de   Guilherme Bach  em  "seu diário".   

  Início dos anos 30

Nessa vila   passa a funcionar  o cinema    Aliança, da família Cuchiarelli, vinda  do balneário de Tramandaí. As sessões de cinema são realizadas no prédio do  Teatro Paulino Chaves e   havia  50  lugares para os assistentes. Notas: 1)  Segundo  (8)  Paulino Chaves (ou Paulino Rodrigues Fernandes Chaves) foi  um juiz em Conceição do Arroio que encampou a idéia de  fundar uma  sociedade dramática  que foi chamada  "Companhia Theatral da Harmonia Arroiense" em 1875  com a finalidade  de realizar e incrementar, entre outras coisas, apresentações  teatrais na  localidade.  Para tornar isso possível   foi  construído um prédio  nas proximidades da  igreja matriz  destinada  a   essa finalidade (apresentação teatrais). Este prédio   recebeu o nome de  "Theatro da Harmonia Arroiense". Em 1901,  o nome do prédio foi mudado  para Teatro Paulino Chaves, em homenagem ao citado magistrado.    2)  Segundo (6), na década de 30, durante as festividades religiosas eram apresentadas sessões de cinema gratuitas ao ar livre, na Praça da Conceição, em frente da  igreja matriz.    Nota:  A foto abaixo  foi tirada da   referência (6).  Segundo essa fonte, a  foto deve ser  do ano de  1900 ou  imediações. 

Foto que mostra a localização do Teatro Paulino Chaves. 

 

Posteriormente  esse prédio foi reformado e ali passou a funcionar o Clube Comercial da cidade. Este clube  foi  fundado em 1934.    Comparando-se as duas fotografias, nota-se  que houve   apenas uma alteração  na fachada. Exteriormente, o restante do prédio  do prédio permaneceu o mesmo. Seguramente o seu interior também tenha sido alterado na ocasião. Nota: A foto abaixo  deve ser da década 1940-50. 

Clube Comercial   (Foto do  Arq. Publ. Municipal)

  07/Jun/1931

É     apresentado no Cine Aliança o 1o. filme sonoro. Falado em espanhol, seu título  era La Voluntad del Muerto. Chamado na época de "filme sincronizado", foi  Carlos Afonso Monteiro de Lacerda o técnico  responsavel pelo sistema que conseguiu  sincronizar imagem e som (7)  . Nota:   O município de  Conceição do Arroio passou a se chamar  Osório por um Decreto de  24/Mai/1934, prestando  assim  homenagem a grande figura  civico-militar de nossa história, o  Marechal  Manoel Luis Osório (1808-1879), marquês do Erval,  que  nasceu nesta  região. 

  1937-38

Passa a funcionar em um prédio de madeira o cinema Electon (ou  Electron ou ainda Electra) de propriedade de Abrilino Silveira D'Avila (Seu Biluca), Otaviano Correa e Carlos Afonso Monteiro de Lacerda. A tela  foi feita de crochê pela esposa desse último. Este ainda  era o responsável pela parte técnica, incluindo a montagem dos equipamentos de projeção e de som, etc. A foto abaixo deve ser  da década 1940-50.   Notas: 1)   Para maiores detalhes do cinema nessa localidade, a   referência (7)   é muito  abrangente e elucidativa. 

O   Cine Electon  é o prédio da direita  (detalhe de  uma  foto maior do  Arq. Publ. Municipal)

Notas  Sobre  o  Aparelho  Projetor:  1)  Segundo (7)   e   (9) o  nome  Electon     foi   dado ao cinema  por ser  (ou estar relacionado)  a  marca (ou modelo)   do aparelho projetor de filmes. 2)  Em pesquisa na Internet (www.xs4all.nl/~wichm/cinelist.html)  ,  verificou-se que  em 1929,   foi  fabricado na Alemanha  um aparelho projetor   chamado  Elektra, porém  o mesmo   se destinava  a projetar  somente   filmes  silenciosos  (ou mudos).   3)   Houve  também  um aparelho alemão   modelo Selecton (o  S1936  em  1936  e o T1937   em 1937 ), fabricado pela Bauer.   Em ambos  os casos, tratava-se  de  projetores  para   filmes de 16 mm (largura do filme).  Ver abaixo a imagem  do  projetor  modelo  S1936.   

       

 Projetor Selecton  S1936

           Rolo com  filme de 16 mm   

 Pedaço de  filme de  35 mm

                                        

Nota-se  que os   filmes  de 16  mm  (ou 16mm)  possuem (ou possuiam)   furos  em apenas  um lado enquanto os filmes de 35 mm  possuem   furos  em ambos   lados.  No filme  de  35 mm, são bem visíveis  os sinais  de audio (som)   gravados  nas  suas margens.

 1952

O    cinema   Electon  passa se chamar   Labor, depois  de sofrer  uma    reforma  e      instalação  de novos equipamentos  de   projeção .  O aparelho  cujo  modelo desconhecemos  era   fabricado  pela  empresa alemã  Bauer   (9).  Maiores detalhes  dessa sala de  cinema,   ver item sobre o Cine  Labor. 

  1954

O    Cine Labor deixa de   funcionar e o prédio de madeira é   demolido para, em seu lugar,  ser construído um novo prédio de  alvenaria dotado de todas  as comodidades  de uma verdadeira  sala  de cinema.  

Comentários:  Depois do fechamento  do Cine Labor, a cidade   ficou por  uns tempos sem ter  uma sala de  cinema.  Constatando essa carência, Nelson Schuck, funcionário do Banrisul, teve a iniciativa e    falou com  com o pároco local -   Pe. Pedro Jacobs -   sobre o problema  e este concordou em  alugar  o prédio do Salão Paroquial  (que tinha   um salão espaçoso)   para ali  serem apresentados filmes.  Então Nelson Schuck   foi a Porto Alegre  e   adquiriu (ou alugou) um aparelho de projeção de filmes, mas era    um aparelho de  modestos recursos, pois   só  permitia  apresentar    filmes   de  curta (até 30 minutos)  e  média  metragem (até  60 minutos). Recordo-me  que  as cadeiras de madeiras  com assento de palha  eram soltas  e cada um colocava a  sua na melhor posição. O local  permitia   assentos para 50-100  pessoas.   O projetor ficava perto da porta de entrada  do salão e a tela que era de  tamanho modesto  ficava  distante uns 20-30 metros,  sobre o  palco que havia no   salão.  Obviamente  deve ter sido  acertado  entre as partes  que nesse local  só poderia passar filmes  de censura livre e que  não  conflitassem  com  os preceitos  a   religião  católica.  E assim foi.  Acho que esse  cinema   funcionou por uns 2-3  meses.  O próprio Nelson Schuck  era a pessoa que  operava o projetor de filmes.   

Prédio do Salão Paroquial (Foto do autor)

 

Nesse meio tempo,    enquanto o prédio do novo cinema ia sendo construído, em abril de 1954  os proprietários  do Cine  Labor   fizeram um acordo   com a direção  do  Clube Comercial  e   alugaram as dependências desse clube  por  12   meses.  A partir daí  deslocaram os equipamentos  de projeção, tela, cadeiras, etc.  para o   clube . O aparelho projetor  foi colocado no  mezanino (na altura  das  janelas superiores da foto baixo) na entrada do prédio   e a tela  na  outra extremidade (fundos).   Segundo  Laboriou D'Avila   (9),  foi tentada  uma prorrogação de contrato, mas não houve concordância por parte da  direção  do Clube Comercial, expirando  as apresentações nesse local  em abril de 1955.  

Clube Comercial (detalhe de uma foto maior de 1966)

  1955

É  inaugurado o Cine Central com 600 lugares, de propriedade de Moacir  e Délia Vidal (conhecida como Dona Dília), defronte a Praça da Conceição. Seu aparelho de projeção  já  possuia condições de   projetar filmes em   Cinemascope.     Esta sala de  cinema funcionou até  1976  quando  encerrou suas portas. As  fotos abaixo são de Sérgio Baptista,   do período 1957-60.   Ver item sobre o Cine Central. 

                               

        

                                                                   Vista do prédio  do Cine Central

             Detalhe da fachada  

05/Mai/1955

É    inaugurado o novo prédio do Cine  Labor, de propriedade da viúva  Adelaide D'Avila e filhos. A nova sala de cinema, em prédio de alvenaria possuía cerca de   400 lugares    já operava  no sistema de projeção em Cinemascope.   Nota:  Por algum tempo, recordo-me  que   a música   "Mambo Jambo"  com a orquestra de  Perez  Prado  foi   o tema  que anunciava  o início da sessão o que ocorria  com  a abertura das cortinas em frente à  tela de projeção .  Esta sala de cinema funcionou até  os anos 80. Em  1985   o imóvel  foi negociado  com   a Caixa Econômica Federal que logo tratou de fazer a  demolição do prédio.  

Cine Labor,  ainda não concluído,  mas já  em funcionamento.

(Foto de  1957-60) 

    1960      

Segundo   (2),   a situação  das salas de cinema  no municipio  de    Osório  era a seguinte:  havia o  Cine  Labor com 400 lugares   e o Cine  Central com 600 lugares. Nota:   Acrescente-se  que  no    então  distrito de Tramandaí   havia  os cinemas  Caiçara  e Coimbra  cujas lotações  não  sabemos e em Capão da Canoa também havia uma sala de cinema, cujo nome desconhecemos.

  Cine Labor  (O filme Amada Amante é de 1979) (Foto do autor)

 


Fontes de Referência:

Livros:

(2) Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, Vols. I e II, IBGE (1959).  

(6) Remembranças de Conceição do Arroio (Osório) - Vol 1, de Guido Muri   (1987) 

(7) Remembranças de Conceição do Arroio (Osório) - Vol  5,  de Guido Muri  (1997)

(8) Remembranças de Conceição do Arroio (Osório) - Vol 2, de Guido Muri   (1989)

(9) Raízes de Osório, de Ana Inez Klein, Marly Scholl e Vera Lúcia Maciel Barroso (organizadoras) (Texto de Cinema:  Laboriou D' Avila) (2004)


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