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Página Inserida em Dez/2015   

Memórias   Pessoais

 

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Colégio Júlio de Castilhos  (1963-1965)

Nota: Sobre o Colégio Júlio de Castilhos (Prédio Novo) , ver 

 

Generalidades:  Com a conclusão do curso ginasial em Osório (no Ginásio Conceição), em 1962, eu vim estudar em Porto Alegre, para fazer o  curso científico  no Colégio Estadual  Júlio de Castilhos (o Julinho), localizado no bairro Azenha, defronte à  Praça Piratini onde fica a estátua do Gen.  Bento Gonçalves. Para ingressar na escola, eu tive que fazer um exame de admissão no qual - felizmente - fui aprovado. Em março - quando as aulas iniciaram -  eu vim de Osório  e   fui me hospedar em uma pensão (pertencente a Francisco Montano) existente na Av. Independência no. 1060, localizada entre as ruas Fernandes Vieira  e  Felipe Camarão, defronte à  escola estadual Othelo Rosa. Nota:  Ao lado dessa escola, na esq. da Av.  Independência e R. Fernandes Vieira, havia uma grande casa que pertencia à  família Chaves Barcelos.

Na época, no período da tarde só estudavam  alunos (rapazes),   então eu ia para a escola acompanhado de  um colega tambem morador da pensão - geralmente a pé - desde a Independência, descia a Felipe Camarão, passava em frente ao Pronto Socorro, depois  ia pela  Venâncio Aires, Vieira de Castro, Olavo Bilac, Santana, Laurindo e chegava na escola (JC no mapa). Ver percurso na imagem.  E na volta da escola, fazia o mesmo percurso!  Por 3 anos eu percorri esse caminho! Às vezes, ao sair da  escola, e quando estava  chovendo,  eu voltava de bonde! Então pegava 2 bondes, um para o centro e outro para a Av. Independência.  

 

 

1 -  Cursos de Grau Médio: 

Cursos Existentes: Em 1963 o Colégio Julio de Castilhos oferecia, além do Curso Científico que era destinado aos alunos que pretendiam seguir as  Ciências Médicas, Engenharia, Arquitetura, Agronomia, etc., também o Curso Clássico para aqueles que queriam seguir  a carreira das Ciências Jurídicas,  Letras, etc. Eu creio que no Curso Clássico não eram aplicadas  as disciplinas de Física, Quimica, Ciências Biológicas, etc. do Curso Científico. Talvez houvesse apenas Matemática, mas não tenho certeza.

As fotos abaixo do Colégio Júlio de castilhos pertencem ao acervo fotográfico de  Antônio Ronek e foram encontradas na Internet.

 

 

2 -  Curso Científico:

Situação:  Havia tres turnos de aula.  Turno da Manhã: Para as alunas. Turno da Tarde. Para os alunos.  Portanto, não havia turmas mistas. Havia ainda um Turno da noite para as pessoas que  trabalhavam  de dia. Fico na dúvida  se à  noite havia turmas mistas; creio que não; apenas homens maiores de 18 anos. Creio que para frequentar o curso noturno, precisassem apresentar um documento que estavam trabalhando durante o dia.

Horário:  No Turno da Tarde, as aulas iniciavam  as 13h30min e terminavam às 18 horas. Geralmente o periodo era preenchido por disciplinas  diferentes. Cada aula  durava 1 hora. As vezes havia 2 aulas seguidas da mesma disciplina, mas não era o usual. Havia um intervalo entre as aulas  de 30 min no meio da tarde, entre 15h30min e 16 horas. 

Condições de Aprovação:  Havia as provas mensais e a prova final  de cada disciplina. O  aluno que conseguisse obter uma média das notas  de 7,0 ou maior nas provas mensais, ficava dispensado de fazer a prova final. Se nao conseguisse  fazer essa média (7,0),  entao precisava  fazer uma  prova final que ocorria no mes de dezembro. Essa prova final contemplava toda a matéria dada no ano letivo. Nessa prova final, ele precisava fazer a nota 5,0  para ser aprovado. Caso ele não conseguisse essa nota mínima (5,0), ele  teria que repetir o ano com todas as disciplinas. Outra coisa: O aluno  só poderia repetir uma vez. Se ele fosse reprovado de novo, teria de mudar de escola. As opções para fazer  Curso Científico  em  escolas  públicas eram: Colégio Protasio Alves (na Av. Ipiranga)  ou Colégio Rui Barbosa (na Av. Osvaldo Aranha). Nota: O Colégio Rui Barbosa ficava localizado no ponto da Osvaldo Aranha no que é  atualmente a entrada do Túnel da Conceição.  Ele foi demolido nos anos 1970 para  possibilitar  fazer as obras  do túnel!

Conclusão do Curso: Em 1965, quando eu concluí o Curso Científico,  devido ao regime militar vigente no país, não houve Cerimônia de Formatura. Apenas foi fornecido um Certificado de Conclusão do Curso, entregue pessoalmente  na Secretaria da escola. Ver imagem abaixo do Certificado fornecido. Nota-se que está escrito "Colegial Orientação Cientifica".  Esse certificado era suficiente  para que o aluno que fosse prestar vestibular, pudesse se inscrever para as provas.    Nota:   Eu acredito que  a Cerimônia de Formatura foi cancelada a fim de  evitar possiveis  manifestações estudantis durante o Ato de Formatura haja vista que em 1965  ainda  estávamos vivendo "dias de conflito" no meio politico e social por conta da tomada do poder governamental pelos militares em 1964.   Creio que por esse motivo  a cerimônia foi cancelada. Tambem  eu nao sei se,  nos anos anteriores a 1965, havia Cerimônia de Formatura ao final de curso do Colégio Júlio de Castilhos!

 

3 -  Livros  do Curso Científico:

1o, 2o. e 3o. anos   (Bezerrão)

 

2o. ano

 

 

3o. ano

 

3o. ano

 

 

1o. e 2o. ano

 

3o. ano

 

 

 

 

4 - Nome do Diretor  e Professores do Curso Cientifico (1963) - Turma L  (1o. ano- Tarde):

Nota:  Grafia dos nomes com base no jornal estudantil "O Julinho", de Set/1962.

(Diretor:  Airton Santos  Vargas)

Português: Iracema Eva Longo

História Geral:  Hugo Ramirez

Física: Francisco Rodrigues Outeiro

Quimica:  Afonso Thielle  e  Adelina  Reinisch Behrends  (ou Adelina Censi)  

Matemática:  Zaíra Acauan

Ciências Fis. e Biológicas: Heitor Lopes Fialho

Inglês: Celso Boris Eston

O bedel  era:   Antônio Carlos Capitão

Alunos:  Afonso Calil  M. Mallmann, Angelo F. Mafissoni, Antonio Carlos G.  Souza, Atilio G. Maiolino, Carlos Alberto Z. Lontra, Carlos Arlindo Adib,  Carlos Augusto G. Santos, Carlos Estevão Q. Rosa,  Danilo L. Barum, Darcy Carlos C. Moscardini, Danton C. Ilgenfritz,  Enio Roberto Kaufmann, Erico Oliveira Machado, Gilberto N. Cano,  Gilberto W. Krischer,  Gildo H. Santos, Gilvan R. Fontoura, Ivan B. Rodrigues, Ivo Augusto Seitz, Jarbas F. Osório, João Henrique Levandowsky, Joel B. Lima, Jorge Antonio C. Fauri, José Antonio S. Seggiaro, José Lerman, José Ovidio C. Waldemar, José Paulo S. Grillo, Leonardo Masotti,  Luiz Alberto F. Carvalho, Luiz Alberto S. Mairesse,  Luiz Antonio A. Nejar, Luiz Humberto S. Teixeira,  Marceu Q. Trois,  Paulo Diehl Diedrich, Paulo Roberto Hebrighel, Plinio Fonseca, Roberto T. Price e Rodolfo José L. Barros. (Transcrito da  folha  de chamada de Matemática) 

 

5 - Nome do Diretor e Professores do Curso Cientifico (1964) - Turma G  (2o. Ano-Tarde):

Nota:  Grafia dos nomes com base no jornal estudantil "O Julinho", de Set/1962.

(Diretor:  Airton Santos Vargas)

Português: Iracema Eva Longo

Desenho: Olga Fontoura Paraguassu

História Geral:  Eugênia  Grimberg    e   Silvia Peterson

Física: Nanci de Souza  Moura

Química:  Luis Irineu  Settineri  

Matemática:  Helio Prates da Silveira  e ???

Ciências Fis. e Biológicas:   Lahyre Clarion da Silva Vieira Ceroni

O bedel era:  Antonio Carlos Capitão

Alunos:  Adail Ivan Lemos, Adalberto Damasio, Alvaro Anicet Lisboa, Arno Kladt, Aurivan Romeiro Fraga, Carlos Arlindo Adib, Carlos Roberto Rosito, Dilson Maciel Yllana, Donaldson Carneiro Ribeiro, Edson Martins Meireles, Eduardo Roberto Costa Irigoyen, Elbio Pelienz, Elie Roberto Behar, Fernando Azambuja Dutra, Francisco Assis Beheregaray, Francisco Crespo Viegas, Gilberto Azevedo Cunha, Gilberto Neumann Cano, Gilson Pirillo Silva, Heitor Rocha Bitencourt, Helio Ernani D'Avila, Humberto Bolivar Porciuncula Vicelli,  Jader Maciel Zeni, Jeferson Durand, João André Larranaga  Lecué Jr.,  José Rocha Miranda Pontes, Lucio Edi Chaves, Luiz Alberto Ferreira Carvalho, Luiz Alcione Albandes Moreira, Luiz Fernando Jacques Figueiredo, Mauriti Correa,  Mauro G. r. silva, Otávio Teixeira Rocha,  Paulo Egger Segura Bittencourt, Paulo Renato Santos Souza, Protásio Paiva Bueno Fo., Renato A. C. Dresch e  Rubens Szochman.    (Transcrito da  folha  de chamada de Física) 

 

6 - Nome do Diretor e Professores do Curso Cientifico (1965) - Turma H  (3o. ano-Tarde):

Nota:  Grafia dos nomes com base no jornal estudantil "O Julinho", de Set/1962.

(Diretor:  Heitor Dala Costa)

Português: Maria  Pizzato

Desenho:   Paulo de Barros  Ferlini  

Física: Joaquim Neto Tupi  Caldas

Química:  Attico Chassot

Matemática:  Maria Isaura Pain (ou Paim)

O bedel era :  Antonio Carlos Capitão

A secretária do Diretor  era :  Elvira Leocádia Franzen

Nota: O  bedel - mencionado acima  -  era um funcionário da escola que  auxiliava os professores, trazendo material escolar, abrindo e fechando as portas da sala de aula, inspecionando a conduta dos alunos no interior da escola, etc.. Pelo que sei, cada  bedel cuidava  apenas de um  andar do prédio. Saliente-se que o bedel citado  (A. C. Capitão cujo apelido era Capitão) era uma pessoa educada  e respeitosa com os alunos!  Em 3 anos no colégio,  eu nao lembro de ter presenciado nenhum  atrito  sério entre algum estudante e o bedel (Capitão).  Assim como respeitava os alunos, ele se fazia respeitar! Portanto era um funcionário que agia  corretamente no desempenho de sua função. 

Alunos:  Adilson Victorino,  Antonio Clovis R. Cunha, Alberto Luiz C. Lima, Arno Kladt, Carlos Arlindo Adib, Carlos Eduardo M. Léogori, Carlos Fabel, Carlos Mariz B. Barreto, Claudio Hampe,  Claudio Muller, Corinto Castanho Fo., Darcy Carlos C. Moscardini, Dilermando  Leal,  Donaldson Carneiro Ribeiro,  Eduardo C. Oliveira, Fernando A. Dutra, Franco Sessa,  Gilberto W. Krischer, Guaracy Ruy A.  Leiria, Guido Roberto Loff,  Irajá Newton Bandeira, Iraldo Trinca,  Ivan O. Silva, Jaime Rodrigues Fo.,   João Pedro M. Taborda, Jorge Michael Schonfeld, José Carlos Pires,  José Pedro Weber,  Leonardo Masotti, Luiz Fernando D. Manganelli, Luiz Fontoura Lorenzoni,  Luiz Heitor N. Mércio, Marco Antonio T. Maineri,  Milton O. Domingues,  Milton T. Oliveira, Nelson Brochmann, Nilson Leonhardt, Paulo Roberto Z. Fett, Paulo Quinhones Santos,  Paulo Toscani Cardinal,  Peter Vertes,  Plinio Dias Zingano,  Plinio Fonseca, Renato S. Gomes, Ronaldo Kersten, Ronney B. Panerai, Rubi E. Frantz,  Sergio  Candido Passaglia, Telmo B. Magdan, Vilson Schier,  Werner Edgar S. Utz.   (Transcrito da  folha  de chamada de Desenho) 

 

7 - Os Acontecimentos Políticos de 1964  e seus Reflexos no Colégio Júlio de Castilhos:

De modo geral, na época   os lideres estudantis que dirigiam o Grêmio Estudantil  do Colégio tinham uma posição politica mais  afinada com a esquerda, ou seja, com o pensamento politico de  de Leonel Brizola, João Goulart, Miguel Arrais,  etc..  Ou  seja, lideranças politicas que  preconizavam  reformas sociais no país (reforma agrária, etc.) bem como  nacionalização de empresas estrangeiras, etc. No periodo  de 1963 até março/1964   eu nao lembro de ter havido   debates politicos acirrados   entre os estudantes do Julinho.  A maioria dos estudantes não tinha  grande definição politica, embora também não fosse alienada. A turma mais atuante era mesmo a da diretoria do  Grêmio Estudantil. Na época, se dizia  que  os alunos do  Julinho eram considerados os  "estudantes mais comunistas" de Porto Alegre.  Com certeza, a maioria dos estudantes não era! Talvez fossem alguns do  dirigentes do Grêmio Estudantil! Talvez!

Com  a mudança de governo do país em 31 de março,  houve uma verdadeira "caça às bruxas" dentro da escola. Pelo que lembro, havia um professor de Física (Decio Nunes Floriano) que  "tinha fama" de ser  um comunista convicto. Realmente eu nao tive aula com ele. Eu só sei que  ele era conceituado pelos alunos  como um excelente professor de Física. Ele  foi destituido  do cargo nos primeiros tempos que se seguiu a tomada do poder pelos militares. Diziam que ele teve que fugir para o Uruguai, para  não ser preso.  De igual modo, a professora de História  (Eugenia Grimberg) que foi minha professora no 1o. semestre (de 1964). Ela  foi afastada da escola durante o periodo de férias (julho de 1964). Em agosto, quando voltamos,  já tínhamos uma nova professora de História. Não lembro do nome de outros  professores afastados por serem considerados "comunistas ou subversivos".  Eu fiquei sabendo que houve tambem alunos perseguidos e afastados da escola, por serem considerados subversivos. Para maiores dados sobre esses acontecimentos, ver (11).

Um dos fatos interessantes que lembro foi uma carteira estudantil emitida no inicio  do ano de  1964.  Havia uma figura  no verso da carteira que representava trabalhadores rurais!  Ver figura abaixo da esquerda.  Meses depois da  Revolução de 31 de Março, ou Golpe Militar, como queiram,  essa carteira estudantil  perdeu a validade  e foi substituida por outra!  Isso aconteceu em julho/1964!  A dúvida que ficou: por que o novo governo  "cassou" a identidade estudantil? Conversa pra cá, conversa pra lá, descobriu-se o motivo:  que  os novos dirigentes politicos consideraram  que essa carteira  era subversiva porque no verso da carteira o que aparecia (além de trabalhadores rurais)  era a figura de Fidel Castro,  que era - na época - um ídolo para os estudantes esquerdistas ou comunistas! Outros diziam que era a figura de  Jesus Cristo!  Ver imagem da direita abaixo!   Tudo isso  fez parte da  imaginação fértil da estudantada do colégio!   Portanto, em 1964 tivemos 2 carteiras estudantis: a  carteira  do "Fidel Castro" que  foi "cassada" e uma outra (de cor azulada)!

Nota:  Na figura  abaixo da direita, nota-se a figura que (no juizo dos estudantes)  gerou o "motivo"  para a carteira ser invalidada!  Agora (no ano de 2015) examinando o fato sem "emoções" vejo que essa carteira foi "cassada" porque apresentava  trabalhadores rurais, reforma agrária, luta no campo, etc. e  legendas que incentivavam a busca de melhores condições de vida o que - no juizo do governo militar vigente - nao tinha motivo para aparecer em  um "documento estudantil"!  Nao importando o motivo, a  única coisa certa que aconteceu foi que essa carteira foi invalidada!

 

 

Legendas do verso da carteira:

"Grêmio Estudantil"

 "Conscientização - Organização - Trabalho"

"A autonomia dos Grêmios é uma necessidade"

"O povo deve receber mais que democracia e liberdade em termos abstratos"

 

 

Livro:

1-  Julinho - 100 Anos de História, de  Otavio R. Lima e  Paulo F. Ledur (orgs.), (2000)

Internet:

11 -  Blog  "Direitos Humanos, Movimento Estudantil no Julinho e Comissão da Verdade"   >  http://julinhonaditadura.blogspot.com.br/p/bibliografia.html

 

 


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