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Página Inserida em Mar/2018   

Memórias Pessoais

 

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EBE -  Empreza Brasileira de Engenharia (1972)

 Nos dias que anteceram minha  formatura, como engenheiro eletricista,  na  Escola de Engenharia da UFRGS (em 1971), eu  fui contratado para  trabalhar na EBE (Empreza Brasileira de Engenharia). Frise-se que,  na sua  razão social, o nome "Empreza"  era ainda (em 1972) escrita com "Z", pois essa empresa havia sido constituida  décadas atrás no Rio de Janeiro onde ficava a sede nacional (a matriz da empresa).  Em 1972, a  sede de Porto Alegre ficava localizada na R. Gen. Lima e Silva, no. 1036, na esquina com a R.  Joaquim Nabuco. O gerente tecnico e  administrativo dessa empresa (no Rio Grande do Sul) era o engo. Sergio Froes Soares, que anteriomente havia sido  funcionario da Secretaria de Obras do Estado. O engo.  Sergio foi  membro diretivo  da Sociedade de Engenharia do RGS por vária décadas, chegando a ser presidente dessa sociedade nos anos 1970-80.

Eu me formei  dia 29/dez/1971  e dia 4 de janeiro (1972) já estava trabalhando na EBE, ganhando o salário de 2200 cruzeiros que correspondia a 8 salarios minimos da época. Esse  era o salario minimo de engenheiro, estabelecido por lei para 8 horas de trabalhos diarios.   Como funcionou a minha entrada na EBE? Nos meses que antecederam a formatura, o DCE (Diretório do Centro Academico) da escola havia  enviado o  currículo dos formandos  para diversas  empresas de engenharia  e a direção da EBE  entendeu que, pelos estagios que eu havia feito (FORMAC, CEEE e Estaleiro Só),  eu poderia ser contratado, pelo menos,  para fins de experiência;  para ver se eu me adaptava ao tipo de serviço que era realizado, etc. Em Porto Alegre, a EBE  executava obras de natureza civil (escavações,  colocação de dutos subterraneos, etc.) e  elétrica (redes  de alta e baixa tensao, do tipo  aérea e subterrânea, instalações elétricas em geral, montagem de câmaras transformadoras,  etc.).  Nessa empresa eu fiquei trabalhando  pelo periodo de 1 ano, havendo  ficado como engenheiro responsavel por algumas poucas obras. Em minha passagem eu recebi   toda a atenção e apoio da direção e dos funcionários da empresa.   No final do ano de 1972,  por não ter me adaptado ao trabalho que era realizado, eu fui demitido. Recebi  a notícia com tristeza, mas o que fazer? Tinha que procurar um novo trabalho.

Durante a minha estada na EBE, lembro do engenheiro Moacir (Aléssio ?),   Sadi Honório (eletrotécnico) e   Ávila que coordenavam os trabalhos de campo e do projetista e desenhista Januário.  O almoxarifado da empresa  ficava localizado na rua Vitória, entre as ruas São Luis e Gomes Jardim. O responsavel pelo almoxaridao era o Cavalheiro.  Entre os eletricistas lembro do Pedro (Pedrinho) que  fazia instalações eletricas internas de residencias e de  predios. Entre os eletricistas de rede, havia o  Normelio (chefe de turma de rede).  Os demais funcionarios envolvidos em obras civis (escavação, etc.) eram  o Afonso  (chefe de turma) e os funcionarios  Adão e um outro conhecido como "Baiano". No setor administrativo, havia  o Guimarães ou Magalhães  (chefe do escritório), a Ana  e duas outras funcionarias. Lembro que a EBE tinha duas turmas de rede aérea que prestavam serviços de manutenção (de rede) para a CEEE e uma turma de rede subterranea que tambem prestava serviços a CEEE.

As outras empresas de engenharia que faziam realizavam obras civis e elétricas  na cidade e no estado eram a Archel e  a  ACG.  Realizando obras de   instalações  elétricas   havia ainda na cidade a Finkler Engenharia (de Ernesto Finkler),  a Instaladora Elétrica (de Eddo Hallenios Bojunga), a Fishmann Engenharia e outras firmas de menor porte tais como a  Ivo Castro, etc.   Havia ainda a Camboim Engenharia (sediada em Canoas) que realizava trabalhos de obras civis e eletricas.

Os clientes principais da EBE eram a CEEE, a CRT, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a CORSAN, as prefeituras municipais, etc.

A principal obra que a EBE estava realizando na época (1972) em Porto Alegre  era uma obra para a CEEE, que consistia em fazer escavações em via pública por onde (dentro de dutos) passariam os cabos  de energia elétrica que viriam a constituir a rede subterrânea (sistema network)  de Porto Alegre.  A  EBE realizou grande grande dessa obra. Os  dutos de fibrocimento eram envelopados em uma base de concreto. Dentro dos dutos foram instalados depois  os cabos de alta ou média tensao (15 kV).  A subestação supridora dessa rede subterranea era a antiga  SEPA 4 (atual PAL 4), localizada  na confluencia  das avenidas  Borges de Medeiros e Ipiranga e a rua Praia de Belas.

No  mapa  abaixo mostra-se   a região prevista inicialmente  pela CEEE   para ser atendida pela rede subterranea de Porto Alegre. A SE PAL 4 nao está mostrada no mapa! A área da rede foi dividida em 3 sistemas: Sistema Nordeste; Sistema Leste e Sistema Centro-Oeste.  Em principio o Sistema Nordeste era delimitado pela orla do rio (ou lago)  e ruas Borges de Medeiros, Salgado Filho, Independência e Túnel da Conceição. O Sistema Leste pelas ruas Borges de Medeiros, República,  João Pessoa, área da UFRGS, Túnel da Conceição, Independência e Salgado Filho.  E o Sistema Centro-Oeste pelo restante:  orla do rio (ou lago), Perimetral (Loureiro da Silva) e Borges de Medeiros. O Sistema Nordeste foi o que teve prioridade para fins de implantação.

 

Alem dessa obra, lembro que  em 1972  a EBE realizou a instalação da câmara transformadora do Hospital Pronto Socorro, na confluencia das avenidas Osvaldo Aranha e Venancio Aires. Essa camara transformadora era atendida por dois alimentaores diferentes, atraves de uma chave de reversao (ou de manobra). Outras obras realizadas pela EBE em 1972: a iluminação pública (por meio de 3 torres de metal) do trevo existente nas avenidas Benjamin Constant, Assis Brasil,  Dom Pedro II e Ceará e  a iluminação pública de uma  praça existente em frente à Casa de Retiro Vila Betânia,  nas  proximidades do Hospital Divina Providencia, no bairrro Glória.  Tambem na época a EBE estava realizando a instalação eletrica do Hospital Mãe de Deus, na Av. Jose de Alencar.

Em 1973, a EBE, necessitando de mais espaço para melhor acomodar seus veiculos, almoxarifado, escritórios, oficinas, etc.  mudou-se para a Av. Padre Cacique,  nas proximidades  da Av. Jose de Alencar.

Obra em Pelotas: Além das obras em Porto Alegre, a EBE nacional por esses anos estava construindo a usina elétrica de Pelotas que  utilizaria  oleo combustivel em seus geradores.  O  responsavel pela execução das obras em Pelotas era o engo. José Antônio que nos anos 1980-90  iria suceder ao engo. Sergio Soares  no comando da EBE regional. Na decada de 1990-2000,  a EBE em busca de maiores espaços, mudou-se para Canoas, na rua Pres. Juscelino Kubitschek, no. 450, bairro São José.

 


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